Olá pessoal! Depois de um longo e tenebrosíssimo inverno
estou aqui novamente para cumprir minha promessa. Hoje trago um post duplo de
sugestões.
Neste post apresentarei os dois subgêneros Shoujo, BL e
GL, conhecidos aqui no ocidente como y.a.o.i. e yuri. Para começar irei contar
um pouco sobre cada um.
BL/y.a.o.i.: o gênero
em si começou como shounen-ai, que significa pederastia (apesar de ser escrito
como Amor de garotos), porém o termo caiu em desuso alguns anos depois quando a
sigla y.a.o.i. tomou a cena, sigla esta que significa: Sem clímax, sem resolução, sem significado
(yama
nashi, ochi nashi, imi nashi).
Por outro lado hoje este termo tomou um tom pejorativo no
Japão, sendo assim o mais comumente usado o BL ou Boy’s Love (Amor entre
garotos).
Como já ficou explicitado BL/y.a.o.i. trata-se de um subgênero
dos mangás Shoujo que aborda relacionamentos homossexuais masculinos. Mas lembrando
sempre que por ser voltado originalmente ao publico feminino e não a comunidade
gay em si, as tramas e enredos são postos em um ponto de vista mais feminino,
claro que há obras que tentam retratar mais fielmente um relacionamento gay
masculino, todavia em geral é um amor mais idealizado típico de mangás Shoujo.
(termos: ativo = seme / passivo = uke)
GL/yuri:
este por sua vez é o oposto do BL/y.a.o.i., ele retrata o relacionamento homossexual
feminino, geralmente com um foco maior no sentimento individual de cada qual do
casal acompanhado na obra, e por retratar propriamente o ponto de vista
feminino, mas ainda um pouco idealizado, estas obras são mais facilmente inidentificáveis
com o publico leitor.
O gênero yuri em si ainda é voltado para o publico
feminino, porém, principalmente no Ocidente, onde culturalmente é aceito que “homens”
podem se interessar por ver duas mulheres juntas, erroneamente tem-se a crença
de que o publico alvo dessas estórias é o masculino, mesmo não o sendo.
(termos: ativa = tachi / passiva = neko)
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Em acréscimo ressalto que ambos os subgêneros já possuem
publicações aqui no Brasil, com mangás como Gravitation e Blood Honey, e
Miyuki-chan No país das Maravilhas.
Da mesma forma vários mangás, tanto Shounen quanto Shoujo
apresentam esses relacionamentos em alguns de seus personagens, uns mais
explicitamente que outros.
Sendo assim, começo minhas indicações.
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Harete Bokutachi wa (晴れてボクたちは)
Gênero: Romance, Vida Escolar, Parcela de Vida,
Comédia, BL.
Autor e Ilustrador: Yamamoto Kotetsuko.
Ano: 2005.
Volume: Único.
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Sinopse: O tempo e a distância são talvez os dois maiores obstáculos que
você pode enfrentar numa relação para provar que o amor é verdadeiro. Isso é
exatamente o que Keigo tem que superar quando jovem é separado de seu melhor
amigo, Chihiro, porque sua família se mudou para o exterior.
Como o passar dos anos, sua separação de Chihiro se
torna tão insuportável que Keigo se isola e não sai do quarto, então família
decidiu enviá-lo de volta ao Japão para que possa estar onde ele está mais
feliz. Assim Keigo se mudou para viver com a família de Chihiro.
Quando este se reúne novamente, por uma situação atípica
na ida dos dois garotos a escola o amor de Keigo é revelado pelo próprio: “Eu
te amo, Chihiro. Amo-te desde que éramos crianças, eu estou apaixonado por você!”.
Infelizmente para Keigo, Chihiro inicialmente
mostra-se incomodado porque ambos são garotos e ele (Chihiro) já está
apaixonado por uma garota de sua escola.
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Este mangá recomendo para os que queiram se
aventurar no gênero BL/y.a.o.i., pois ele além de ser curto (um único volume de
5 capítulos) é o que podemos chamar de “leve”, pois em todo o ele a única cena “mais
chocante” é um único beijo (bem casto por sinal) por volta da
antepenúltima/penúltima página da obra.
Para aqueles que não conhecem este subgênero este
mangá é um bom inicio, há bastante apresentação do conflito de identidade. Mostra
o desenvolvimento de como um sentimento de amizade muda aos poucos a partir de
determinados eventos que, mesmo que corriqueiros, moldam nossa personalidade e
mudam nossa forma de ver uma situação.
A estória em si é o que podemos chamar de “fofa”,
por seu desenvolvimento centrado nos sentimentos do protagonista Chihiro e a
forma como ele tenta lidar com a revelação de seu amigo de infância e sua insegurança
à declara-se para a garota que gosta.
Desejo-vos uma boa leitura.
Doki Doki Ren'ai (ドキドキレンアイ)
Gênero: Romance, Vida Escolar, Parcela de Vida,
Comédia, BL.
Autor e Ilustrador: Yamamoto Kotetsuko.
Ano: 2007.
Volume: Único.
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Sinopse: Doki Doki Ren’ai está relacionado diretamente após os eventos
que ocorrem em Harete Bokutachi wa. Após a declaração de amor de ambos, Keigo e
Chihiro começam a namorar, mas… Qual é realmente diferença entre ser melhores
amigos ou namorados? Aparentemente, nada mudou entre eles, agora que eles estão
namorando, mas a aparição de um “rival” pode revelar as respostas para essa
pergunta.
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Como dito na sinopse, este é a sequencia de Harete
Bokutachi wa, ele mostra o desenvolvimento do relacionamento as escondidas dos
dois protagonistas, somos apresentados também a um “rival” romântico que
Chihiro deve lidar.
Nesta obra somos apresentados a cenas de beijo mais
frequentes, o que denota o avanço na relação de ambos. Ao todo essa obra possui
5 capítulos e um Extra, no qual como no final do 5º capítulo somos introduzidos
à vida sexual do casal.
Para aquelas que talvez tenham torcido o nariz só
com a ideia, fica o aviso: “não são cenas tão explicitas assim”.
Em mangás shoujo, seinen e jousei já há imagens de
cenas de coito, todavia não são tão explicitas assim em geral. Doki Doki Ren’ai
encontra-se na mesma situação, há a apresentação das imagens da cena do coito,
porém não são tão mais reveladoras do que estamos (no ocidente) acostumados a
ser expostos no dia-a-dia.
Eu chamaria este mangá do “liminar da barreira”, a “barreira”
é o preconceito incutido em nós desde que nascemos e somos inseridos na
vivencia em sociedade, na qual somos apresentados ao que é “normal” e “moralmente
aceito”. A decisão em si de seguir com a leitura, a cada página, é um passo a
mais que o leitor toma em formar sua própria opinião sobre o tema e o quanto
ele, em seu caráter com o coletivo social, aceitará o mundo apresentado na
obra. Então, aos leitores indecisos, eu digo: “Você é contra por você mesmo ou
por terem lhe dito que deve ser?”. Ao responderem essa pergunta poderão dizer
até onde uma opinião é sua, e até onde ela foi “aprendida” em seu convívio social.
Desejo uma boa leitura aos corajosos que escolherem seguir em frente e formar
sua própria opinião saindo de sua zona de conforto.
Girl X Girl X Boy
Gênero: Romance, Vida Escolar, Parcela de Vida, Comédia,
Yuri.
Autor e Ilustrador: KUJIRA.
Ano: 2008.
Volume: Único.
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Sinopse: Uma estória de estudantes ensino médio, sobre o triângulo amoroso entre duas meninas e um menino.
Fuuka gosta de Riri. Riri gosta de Itta. E Itta gosta de Fuuka.
Isto não é um tipico triângulo amor!
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GGB é uma obra que me cativou pela apresentação
desse incomum triângulo amoroso. O que nos apresenta a diversas situações cotidianas
de uma forma fluída, mas envolvente.
Somos apresentados ao ponto de vista de cada um dos
três protagonistas no decorrer dos 7 capítulos da obra, e por sua vez a amizade
que nasce dos desencontros, reconciliações e corações partidos.
A obra foca-se fundamentalmente no medo de assumir
sua sexualidade, onde as pessoas às vezes por medo escolhem o caminho mais fácil,
ou seja, escolhem seguir o fluxo. É mais fácil fazer como a sociedade impõe do
que ir contra, esse é o paradoxo enfrentado por Riri.
Ao passo que Fuuka está determinada a enfrentar as consequências
de seu amor. Ao mesmo tempo temos o ponto de vista de Itta que observa ambas as
garotas e pondera sobre como lidar com seus sentimentos.
Aquelas que lerem realmente acho que vão gostar, a
obra é leve e passa um sentimento de superação. Então, boa leitura!
Kannazuki No Miko (神无月的巫女)
Gênero: Ação, Romance, Drama, Mecha
(Robôs Gigantes), Ficção-Cientifica (Sci-Fi), Ecchi, Yuri.
Autor e Ilustrador: KAISHAKU.
Ano: 2004.
Volume: 2 volumes.
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Sinopse: Duas meninas, Kurusugawa Himeko e Himemiya Chikane, que tem uma
amizade secreta de seus colegas de escola descobrem de repente que são as sacerdotisas
do sol e da lua. Quando um eclipse lunar misterioso ocorre no dia de seus
aniversários, são forçadas a lutar uma batalha contra Orochi e suas forças, que
desejam a aniquilação total do planeta. Mas não é tudo assim tão simples.
Himeko tem sentimentos para com Chikane - e para um dos enviados de Orochi,
Oogami Souma, que tenta de todas as formas resistir ao chamado da escuridão, a
muito custo.
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“As Sacerdotisas do Mês sem Deus”, está obra eu recomendo
aqueles que querem uma dose de ação, garotas com corpos voluptuosos, romance
trágico e triângulos amorosos.
Está é uma obra na qual somos apresentados a uma
protagonista que tem que decidir entre qual caminho seguir. Amar sua amiga, ou
ficar com o garoto que a ama.
Este também nos apresenta a cenas de luta envolventes e
que de quebra nos mostra um velho conhecido da infância, os Robôs Gigantes.
Ela é tanto nostálgica quanto inovadora, uma obra que
certamente agradaria os olhos do publico masculino em geral de nossa sociedade,
mas que por sua parcela sentimental cativaria a “ansiedade” do publico
feminino.
O enredo é simples, mas nem por isso desinteressante. Somos
expostos tanto a adrenalina da batalha quanto a emoção do sentimentalismo da
obra.
Para aqueles que se empolgaram com este post fica o
aviso, todas as quatro obras podem ser encontradas nos links laterais de scans
deste blog. Então, boa leitura!
Até a próxima!^^/